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Comparativo de Softwares para BIM
Navisworks vs Solibri: qual escolher para compatibilização de projetos
Um duto de ventilação atravessando uma viga estrutural. Uma tubulação hidráulica competindo com um eletroduto pelo mesmo espaço no forro. Situações como essas ainda aparecem em obras brasileiras porque a compatibilização entre disciplinas não foi feita com o rigor necessário na fase de projeto. Um estudo conduzido em um curso de Engenharia Civil de Santa Catarina ilustra bem o problema: a verificação visual de um conjunto de projetos identificou apenas 11 incompatibilidades, enquanto a checagem automatizada pelo Navisworks revelou 1.102 interferências no mesmo modelo.
A diferença de escala mostra por que depender apenas da percepção do projetista não é mais suficiente em empreendimentos complexos. É nesse cenário que Navisworks e Solibri se tornam protagonistas, mas escolher entre os dois exige entender o que cada ferramenta foi construída para resolver.

O que é compatibilização de projetos em BIM
Compatibilização é o processo de sobrepor os modelos das diferentes disciplinas (arquitetura, estrutura, instalações elétricas, hidráulicas e sistemas prediais) em um único modelo federado, com o objetivo de identificar e resolver conflitos antes que cheguem ao canteiro de obras. Esse processo se apoia em duas frentes complementares: a detecção visual, feita pela equipe de coordenação durante reuniões de revisão, e a detecção automatizada de interferências, conhecida como clash detection.

Os softwares de clash detection classificam os conflitos em três categorias principais: clashes duros (interseção física real entre dois elementos), clashes leves (invasão de zonas de folga necessárias para instalação ou manutenção) e verificações de clearance, que garantem espaço de acesso e operação para equipamentos. Se alguns desses termos ainda soam pouco familiares, vale consultar o glossário de termos técnicos da construção antes de seguir. Essa classificação é justamente a fronteira que separa Navisworks e Solibri na prática.
Duas filosofias diferentes para um mesmo problema
Navisworks e Solibri nasceram de propósitos distintos. O Navisworks, da Autodesk, foi construído como uma ferramenta de agregação: ele reúne modelos de praticamente qualquer origem (Revit, Civil 3D, AutoCAD, IFC de outras plataformas) em um único ambiente de revisão e simulação. O Solibri, por outro lado, foi desenvolvido como um verificador de qualidade: sua proposta central é validar se o modelo cumpre regras, normas e requisitos de projeto, não apenas encontrar onde dois elementos se tocam.
Essa diferença de origem explica por que muitas equipes de coordenação BIM não escolhem apenas uma das duas ferramentas. Elas usam o Navisworks para a checagem geométrica rápida e a simulação 4D, e o Solibri para a auditoria de conformidade e a garantia de qualidade do modelo antes da entrega.
Como cada ferramenta se aplica na coordenação de disciplinas
Navisworks na prática
O módulo Clash Detective permite importar arquivos nativos (.rvt), formatos intermediários (.nwc) e IFC, combinando-os em um modelo federado para análise de colisões. O grande diferencial está na compatibilidade nativa com o ecossistema Autodesk: modelos do Revit são convertidos diretamente, sem a etapa de exportação para IFC, o que reduz o risco de perda de dados geométricos. O Navisworks também oferece TimeLiner para simulação 4D e ferramentas de medição e anotação que facilitam a comunicação entre disciplinas durante as reuniões de coordenação.
O sistema de regras do Navisworks é mais simplificado quando comparado ao do Solibri: ele é eficiente para encontrar interseções geométricas (focado em clash detection), mas exige muito mais trabalho manual quando o objetivo é verificar conformidade normativa ou requisitos específicos. No Navisworks, quase tudo precisa ser configurado manualmente para chegar a resultados de auditoria mais refinados. Além disso, a ferramenta acaba ficando limitada quanto à verificação de informações, pois não possui uma opção estruturada nativa para auditar dados de forma profunda.

Solibri na prática
O Solibri Model Checker trabalha quase exclusivamente com arquivos IFC, o que reforça sua identidade openBIM. Seu diferencial é o sistema de regras: é possível configurar checagens personalizadas para clearance de equipamentos, acessibilidade, conformidade com códigos de obra, integridade de sistemas MEP e consistência de informações do modelo.
Diferente do Navisworks, o Solibri é uma ferramenta completa de auditoria e compatibilização. Ele permite realizar checagens muito mais amplas, como verificar se todos os parâmetros necessários para um levantamento de quantitativos estão devidamente preenchidos. Outro ponto de destaque é que o Solibri consegue verificar até elementos não físicos (como zonas de circulação ou requisitos de espaço), enquanto o Navis se limita majoritariamente aos elementos físicos. Enquanto o Navisworks foca no clash detection geométrico, o Solibri realiza tanto a detecção de colisões quanto a verificação de informações de forma totalmente estruturada.
Benefícios práticos de cada abordagem
- Navisworks: leitura nativa de arquivos Revit, reduzindo etapas de conversão e risco de perda de dados
- Navisworks: simulação 4D integrada, útil para compatibilizar cronograma físico com a sequência construtiva
- Solibri: regras de verificação totalmente customizáveis, alinhadas a normas, códigos de obra e requisitos do PEB
- Solibri: priorização automática de interferências por severidade, o que agiliza reuniões de coordenação
- Ambos: geração de relatórios de interferências no formato BCF, compatíveis com plataformas colaborativas como o Trimble Connect e o BIMcollab
- Uso combinado: Navisworks para checagem geométrica rápida e simulação, Solibri para auditoria de qualidade e conformidade antes da entrega final
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Limitações e pontos de atenção
Nenhuma das duas ferramentas resolve compatibilização sozinha. O Navisworks pode ficar lento ao processar modelos federados muito grandes, principalmente quando o hardware não acompanha o volume de dados. Já o Solibri, por depender de arquivos IFC, é mais sensível à qualidade da exportação: geometrias mal convertidas ou informações de parâmetros perdidas durante o processo comprometem a confiabilidade da checagem.
Um estudo sobre o uso profissional de ferramentas de verificação de modelos BIM (BIM-based Model Checking) reforça que a etapa de preparação para apresentar os resultados de um clash detection costuma exigir de duas a quatro horas de trabalho de um profissional experiente, já que regras muito sensíveis tendem a gerar um volume alto de ocorrências pouco relevantes.
Por isso, tanto o Navisworks quanto o Solibri funcionam melhor como parte de um processo de coordenação estruturado, com papéis, prazos e critérios de priorização bem definidos, e não como uma solução automática para problemas de comunicação entre equipes de projeto. Quando esse processo ainda não existe no escritório, o caminho mais rápido costuma ser falar com nossos especialistas para estruturar um fluxo de coordenação antes de investir pesado em licenças de software.
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Conclusão: qual escolher
Não existe uma resposta única. Se a prioridade é compatibilidade nativa com o ecossistema Revit, simulação de obra e um fluxo de trabalho já consolidado nas equipes brasileiras, o Navisworks tende a ser o ponto de partida natural para detecção de colisões físicas. Se o objetivo é uma auditoria profunda de qualidade, verificação estruturada de informações, conformidade normativa e um ambiente verdadeiramente openBIM baseado em IFC, o Solibri se destaca por sua capacidade de auditar inclusive elementos não físicos. Na prática, equipes de coordenação mais maduras costumam usar as duas ferramentas em conjunto, cada uma cobrindo a etapa em que é mais forte.
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Referências
OLIVEIRA, C. et al. Compatibilização de projetos em plataforma BIM. Artigo submetido ao Curso de Engenharia Civil da UNESC. O estudo comparou a detecção visual de incompatibilidades (11 ocorrências) com a checagem automatizada via Navisworks Clash Detective no mesmo conjunto de modelos, evidenciando a diferença de abrangência entre os dois métodos.
MEADATI, P.; IRIZARRY, J. BIM-based model checking (BMC). Estudo com profissionais de coordenação BIM sobre o uso de ferramentas de model checking, indicando que a preparação de relatórios de clash detection para apresentação costuma levar de duas a quatro horas de trabalho especializado.
ISO 19650-1:2018. Organization and digitization of information about buildings and civil engineering works, including building information modelling (BIM). A norma trata a coordenação de modelos federados e a resolução de conflitos entre disciplinas como parte do processo de gestão da informação ao longo do ciclo de entrega do projeto, e não como uma etapa isolada de checagem técnica.
ISO 16739-1:2024. Industry Foundation Classes (IFC) for data sharing in the construction and facility management industries. A norma define o esquema de dados IFC como formato neutro para troca de informação entre plataformas BIM, base do fluxo de trabalho openBIM adotado por ferramentas como o Solibri.
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